Postagens

O sentir da vida - Parte I

Imagem
      No início deste mês vivi uma experiência transformadora. Gostaria de deixá-la registrada na forma de texto. Acho que pode ser útil para outros da minha espécie. Na primeira semana desse mês, entre os dias 03 e 05 de setembro, por alguma magia, dessas que o Universo desenha sem a gente perceber, minha vida estaria na rota de uma jornada transformadora da qual eu ainda não fazia ideia. Havia dado aulas muito boas na segunda, terça e na quarta. São nesses dias que minhas aulas estão concentradas neste semestre letivo. Meus alunos mais próximos sabem o quanto dar boas aulas é importante para mim. Eu sempre entro em sala de aula para fazer o melhor que eu puder. Ser 100% presença e entregar aos alunos toda a minha energia vital na construção de um discurso bem encadeado, divertido, empolgante e provocador de sinapses. Sempre querendo ir além das questões técnicas ali expostas. E minhas aulas estão fortemente sujeitas à imprevisibilidade das minhas próprias sinapses. Evi...

O barco e o porto

E mais um barco atraca neste cais Seus contornos me soam familiares Há tempos ele não aparecia por aqui Melancolia é o nome desta embarcação Um pequeno barquinho de cor cinza Sem velas, motores ou remos De aparência modesta e cansada Pela longa espera que o trouxe até aqui Desejoso de atracar e enfim ser visto É tudo que o novo hóspede deseja Ancorar, descansar, ser notado e partir Como querem todos os barcos deste porto Mas para o marinheiro que tem fome de mar A presença deste barquinho incomoda Pois ele ocupa um espaço precioso Que o desejo reservou a uma grande Nau Mas o que sabe o desejo Sobre esse navegar sem rumo? Se todo desejo esconde uma intenção E toda intenção vislumbra um caminho? E se todo porto é uma porta Sempre aberta a um novo "se lançar" Então deixa esse barquinho descansar Pois logo ele parte e outro ocupa seu lugar

Vida

A vida é essa coisa que pulsa Esse movimento sem chegada Essa estrada sem partida Essa dança de vontades A vida é essa respiração Esse desabrochar do ser Essa floração do espírito Essa transmutação sem fim A vida é essa dinâmica Essa luta por espaço Essa batalha de pulsões Essa eterna ambivalência A vida é um nascimento Mas é também uma morte É o sofrimento que pede A percepção ou a sorte A vida é esse fractal Essa cascata hierárquica Da mitocôndria ao homem Do fragmento ao todo A vida é o caminho do tempo A força da finitude Que na busca da eternidade Manifesta a sua verdade

O ser e a música

Existe uma neblina que se interpõe entre observador e ser  E quando ela se adensa me atrapalha a visão  O primeiro sintoma é a desconexão  O tempo do mundo deixa de ser o tempo do ser  A transcendência passa a ser quase uma necessidade  O ser se sente sufocado pelo maquinismo do cotidiano  A rotina parece ser o combustível dessa neblina  Ela se alimenta de condicionamento e incompreensão  Mas acontece que o ser é forte  Ele também quer fazer valer sua vontade de potência  E de pouco em pouco vai se fazendo ouvir Sussurrando constantemente nos ouvidos desse observador  Tentando se iluminar para se fazer ver através da neblina  E nisso ela se espalha e se enfraquece  A neblina também se cansa, sua opacidade pesa E nessa dança de vontades o ser se revela  O primeiro sinal é uma leveza segura, uma certeza na presença  Uma harmonia fluida, resoluta, não diminuta, mas dominante...

Vida, vontade de potência, salvações metafísicas e criações...

Alguns pensamentos filosóficos que tem vagado pelos recôncavos da minha consciência e precisam se libertar na forma de texto... Sartre muito bem constatou o fato de que a nossa espécie nasce completamente vazia. Primeiro existimos, depois passamos a construir nossa essência. Essa é a ideia central do existencialismo, uma das mais importantes vertentes da filosofia contemporânea. Nascemos como uma folha em branco. Perdidos, confusos, assustados, cheios de incômodos e vontades que não entendemos, mas com um enorme potencial de absorção de conceitos e uma capacidade diferenciada (pelo menos no reino animal) de estabelecer relações de causa-consequência entre os fenômenos que captamos do mundo físico através dos nossos sentidos. Mesmo que esses sentidos, como Platão muito bem observou, sejam bastante imprecisos, limitados e fortemente sujeitos aos mais diversos tipos de engano. Talvez o dualismo Platônico tenha sido uma consequência psicológica da filosofia Grega de buscar uma salvaçã...

Por que é tão difícil ser coerente?

       Tenho pensado bastante sobre coerência. Acredito que exista uma questão fundamental da psicologia do homem em torno desse tema. Quando pensamos seriamente no conceito de vida nos deparamos com uma diversidade enorme de formas, tamanhos, funções biológicas, estruturas comuns, padrões de comportamento e níveis de consciência. Costumamos colocar a espécie humana no topo da nossa escala de complexidade nas questões da consciência e talvez essa seja mesmo uma escala apropriada.          O fato do homem ser provavelmente a espécie mais despreparada entre todas do reino animal no que tange às questões do instinto e ainda assim ter sido capaz de modificar o mundo da forma como modificamos é um ponto determinante nesse "ranqueamento"  da consciência dos tipos de vida que observamos em nosso planeta. Ainda assim sofremos coisas que só nós humanos sofremos. Criamos monstros psicológicos que só nós criamos. Coletivizamos nossas dores para ...

Instinto, razão e sentimentos

       Grande parte dos problemas emocionais do homem decorrem do eterno conflito "instinto x razão". Sabemos racionalmente que somos animais e que possuímos um lado selvagem, mas distraídos pelo cotidiano e inebriados pelo poder da razão acabamos nos comportando como se não  o fôssemos. Esse não reconhecimento de nosso lado selvagem, essa eterna luta contra a nossa própria natureza, segundo Nietzsche é responsável por uma "degeneração dos instintos". Nesse sentido, o homem é uma aberração da natureza. Não existe nada na natureza parecido com a gente. Aquele fator chave que nos diferencia de todos os outros animais é justamente a nossa racionalidade. Através dela  podemos identificar padrões nos eventos observados no espaço e no tempo. Essa identificação de padrões somada a um processamento inteligente nos possibilita modificar de forma intencional o nosso ambiente para que possamos atender melhor as nossas vontades naturais e suprimir de forma mais eficie...